domingo, 21 de agosto de 2011

o que é solido desmancha no ar?


64 empresas perderam valor
Tombini diz que o país ainda terá consequências por pelo menos 2 anos
QUEILA ARIADNE



Das 66 empresas listadas no Ibovespa, índice que mede as ações mais negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), apenas duas não registraram queda no acumulado dos dez primeiros dias de agosto. A Usiminas é uma delas. As ações PN da empresa, que dão direito a voto, subiram 17,92% do dia 1º até ontem.

A consultora de mercado de capitais da Prosper Corretora, Rita Mundim, explica que a alta tem a ver com o interesse da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), que já tem participação na empresa, e quer ampliar sua presença no controle acionário. "A CSN já comunicou ao mercado que comprará ações da Usiminas", justificou Rita. A única outra empresa que teve valorização foi a Ambev, com alta de 0,66%.

Mercado. Ontem, o Ibovespa teve seu segundo dia de aumento de agosto, com ligeira alta de 0,48% mas, no mês, o índice amarga queda de 12,63%. Das 66 ações listadas, 28 tiveram quedas maiores do que a do índice e nenhuma mineira está nesse grupo. A Cemig (PN), por exemplo, caiu 7,25%. A Telemar (PNA) caiu 6% e a MRV (ON) caiu 4,25%.

Rita explica que a Cemig teve uma queda inferior à do índice geral da Bolsa porque faz parte das empresas do setor defensivo, que sofrem menos com essas reduções. "Ninguém para de consumidor energia. Além disso, a inadimplência é baixa e as pessoas pagam à vista, por isso, a empresa fica com um caixa maior", justificou Rita.

O pregão desta quarta-feira foi marcado pela forte volatilidade. O Ibovespa oscilou mais de 2.200 pontos, entre 2% de queda e 2% de alta. Fechou em 51.395 pontos, uma alta puxada pela melhora de commodities como o petróleo e pela resistência dos investidores em se desfazer dos ativos por qualquer preço. Encerrou na contramão de Wall Street, que tombou mais de 4%.
Das poucas.As ações PN da Usiminas, que dão direito a voto, subiram 17,92% do dia 1º até ontem




A Bovespa teve um comportamento infinitamente melhor do que o visto na Europa e Estados Unidos, onde as bolsas desabaram diante das preocupações, agora com a França. Rumores de que o país poderia perder seu rating AAA foram desmentidos. O Dow Jones desabou 4,62%, o S&P recuou 4,42%, aos 1.120,76 pontos, e o Nasdaq perdeu 4,09%. Na Europa, o índice FTSE-100 da Bolsa de Londres recuou 3,05%, o CAC 40, da Bolsa Paris, perdeu 5,45%. (Com agências)
INTERNO
Tombini diz que Brasil terá sobressaltos
Brasília. Um dia depois de o banco central norte-americano) anunciar que manterá as taxas de juros no mesmo nível de 2008 até 2013, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, disse que, embora a economia brasileira esteja preparada para enfrentar a crise, o Brasil ainda continuará sujeito a sobressaltos, por pelo menos mais dois anos, decorrentes da intensificação dos ataques ao dólar, valorizando ainda mais o real.

Tombini afirmou que a situação atual é consequência das respostas que foram dadas por economias como os Estados Unidos e a Europa às turbulências.
EUA
Nota baixa não afeta bancos
NOVA YORK, EUA. A agência de classificação de risco Standard & Poors afirmou que o rebaixamento da nota de crédito de risco dos Estados Unidos de AAA para AA+, com perspectiva negativa, não tem impacto nos bancos do país. "Não prevemos ação imediata sobre os ratings dos bancos dos EUA", disseram os executivos da S&P.

A S&P também informou que o downgrade do rating soberano do país não deve afetar diretamente os ratings de bonds municipais e estaduais e explicou que é possível que esses ratings estejam no mesmo nível do rating federal.

Outros setores que não devem ter downgrade por causa do rebaixamento do rating dos Estados Unidos são os de infraestrutura e transportes. A agência rebaixou, no entanto, nesta semana, os ratings de algumas entidades ligadas ao governo federal dos Estados Unidos, como as agências hipotecárias Fannie Mae e Freddie Mac, de AAA para AA+, com perspectiva para negativa, por avaliar que existe dependência direta do governo dos EUA.



França "respira" após ter nota mantida por agência de risco
Nova York, EUA. A agência de classificação de risco Standard & Poors reiterou ontem que mantém a nota de crédito da França em AAA, com perspectiva estável. Além disso, a S&P elogiou o governo francês e seu esforço em reduzir o déficit e fez uma comparação com a situação dos Estados Unidos. "Acreditamos que o governo francês mostra evidências de seriedade nos assuntos fiscais, que está implementando medidas para reduzir o déficit", afirmou o analista de crédito da S&P, Nicholas Swan.


No início da semana, a Moody´s Analytics divulgou, com base em cálculos feitos a partir do movimento do mercado de swaps de default de crédito (CDS, em inglês), que a probabilidade de um calote da França nos próximos 12 meses cresceu para 0,21%, de 0,11% ano passado. Em cinco anos, as chances sobem para 2,2%.







ECONOMIA DOMÉSTICA
Há como amenizar os efeitos
Segundo especialistas ouvidos pela reportagem, é fundamental manter o perfil da dívida brasileira para evitar que a bomba da dívida pública estoure também por aqui. O professor de Economia e Política Internacional Carlos Eduardo Stempniewski diz que a redução da nota de crédito dos Estados Unidos é preocupante, já que um cenário de crescimento mundial menor e de incertezas no mercado seriam prejudiciais para o Brasil.

Segundo ele, o Brasil deveria se preocupar com o modelo administrativo que adota. "Os motivos que levaram ao desequilíbrio no mercado internacional", diz, "foram o excessivo endividamento do Estado frente à capacidade de geração de receitas". O professor diz que o caminho é "corte de gastos, desoneração fiscal, reduzir a máquina pública e depender menos da venda de títulos para financiar a gastança do governo".


O professor de Economia Marcio Salvato diz que a volatilidade das bolsas era prevista no atual cenário. Segundo ele, após dias consecutivos de queda, os índices começarão a se estabilizar. Na avaliação de Salvato, só será possível medir quais seriam as consequências para o Brasil após saber com o governo norte-americano vai reagir à crise.


"Um cenário possível é o aumento da taxa básica de juros. A medida seria tomada para evitar uma fuga em massa de capitais, o que seria bastante danoso para a economia dos Estados Unidos", explica. "O problema é que a alta de juros vai desestimular a economia interna, que ainda não se recuperou da crise de 2008". (Pedro Grossi)
A crise pode chegar ao Brasil?Sim, uma recessão global derruba a demanda e o preço das commodities, prejudicando as
exportações brasileiras, desacelerando a economia e afetando o mercado de trabalho. Se o dólar subir, pode elevar o preço dos importados e pressionar a inflação, já em alta no país. O Brasil também pode ter dificuldade para captar recursos para financiar obras de infraestrutura.

Vai ter recessão mundial?Não há consenso. Os mercados veem pelo menos um período longo de baixo crescimento global, o que compromete o lucro das empresas nos próximos anos.

Se os EUA estão em crise por que os investidores globais buscam refúgio no dólar e nos títulos americanos?Apesar da crise, os EUA são a maior economia do planeta, com mais chance de recuperação.

Por que a Bolsa brasileira está entre as que mais caem?O Brasil é visto como país de grande potencial de crescimento nos lucros. Com a aversão geral ao risco, fica mais distante a concretização desses planos. O país é produtor de commodities, que serão menos consumidas em caso de recessão.
É hora de vender ações e sair fora da Bolsa?Quem ficou na Bolsa deve agora aguardar para
recuperar o dinheiro aplicado, quando a Bolsa voltar a subir.


País sofre com a dependência de commodities, como o minério

NALU SAAD
Indústria mineira paga 73% a mais por energia do que mundo 
Estado figura no grupo que tem maior cobrança de impostos

Indispensável em todo tipo de indústria, a energia elétrica é mais cara em Minas Gerais do que em boa parte do mundo, inclusive nos países onde estão os principais concorrentes das empresas mineiras. A tarifa média de R$ 372,50 por megawatt-hora (MWh) no Estado está 13% acima da média brasileira, de R$ 329 o MWh, e é 73% a mais que a média apurada em um conjunto de 27 países do mundo, segundo dados são divulgados pela Agência Internacional de Energia (www.iea.org).

O disparate foi revelado ontem no estudo "Quanto custa a energia elétrica para a indústria no Brasil", da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Sistema Firjan). No mundo, apenas indústrias da Itália, Turquia e República Tcheca pagam mais pela energia elétrica, sendo que a diferença entre a Itália (R$ 458.3 o MWh) e Minas Gerais é de apenas 23%. Comparada com os países do Brics (bloco de emergentes composto por Brasil, Rússia, Índia e China), a energia elétrica para a indústria mineira é 165% mais cara. A situação não melhora no Mercosul. O empresário mineiro paga 89% a mais pelo insumo do que os que estão situados nos países vizinhos.

Mas, o título de energia elétrica mais cara do mundo não fica restrito a Minas Gerais. O estudo da Firjan revelou que a tarifa média brasileira para o serviço é 50% maior do que a dos 27 países pesquisados. O documento mostra ainda uma variação de 63% entre os valores praticados no território nacional, situação que tem a ver com a geografia, que interfere no custo de Geração, Transmissão e Distribuição da energia, e também com a carga tributária, que varia de 22,6% a 35,6% entre os Estados.

Nesse item, Minas novamente figura no grupo que tem maior cobrança de impostos (PIS, Cofins e ICMS), ao lado de Rio de Janeiro e Mato Grosso. Em nota, a Secretaria de Estado da Fazenda de Minas Gerais disse que o governo optou por ICMS diferenciada para isentar os mais pobres. Para a indústria, lembrou que o ICMS da energia elétrica não compõe o custo da empresa pois o valor pode ser abatido, a título de crédito, após a saída do produto.
MONTADORAS
Setor reclama de peso sobre preço final
A perda de competitividade em relação às empresas sediadas em outros países embasa os argumentos contra o alto custo de produção na indústria brasileira, no qual, está incluída a despesa com energia elétrica. O setor automobilístico do Brasil, por exemplo, arca com a maior tarifa no mundo, de acordo com estudo da Pricecooperswaterhouse (PcW). São  0,10 pelo kilowatt-hora (KWh), enquanto a europa paga  0,06, a Argentina 0,04 e o México  0,05.

O estudo foi apresentado em julho último pelo presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Cledorvino Belini. Além da energia, o documento, focado na indústria automotiva, mostra que são mais altos também no Brasil os preços da água, do próprio capital, e outros. Isso faz com que custo de produção de um veículo nacional é 60% mais alto do que na China, 40% a mais do que no México e 5% mais caro do que na Índia. (NS)
RECLAMAÇÃO
Fiemg aponta mais disparate
O grito da Firjan ontem já ecoa entre os mineiros há dez anos, disse o vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Petrônio Machado Zica. "Desde 2000, o governo estadual aumenta a tributação sobre a energia elétrica. Faz isso porque é o imposto que não sofre risco de inadimplência ou sonegação, pois ninguém vive sem energia, a transferência é imediata pela concessionária estatal e dispensa fiscalização", desabafou.

Zica lembrou que a indústria paga tarifa 10 vezes mais cara pela energia que consome no horário de pico - após 18h. Na Delp Engenharia Mecânica, na qual é presidente, Zica dribla o custo usando um gerador movido a óleo diesel entre 18h e 21h. "Reduzi o gasto mensal com energia elétrica de R$ 120 mil para R$ 70 mil", conta.

Hoje, o setor industrial em 774 dos 853 municípios mineiros é atendido pela Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). Entre janeiro e março deste ano, as empresas mineiras pagaram R$ 1,066 milhão à companhia, ou seja, quase 30% do faturamento no período com prestação do serviço.

Em nota, a Cemig alegou que "quem define o valor da tarifa de energia elétrica de todas as concessionárias brasileiras é a Agência Nacional de Energia Elétrica", com base na relação dos custos da empresa. (NS)

infraestrutura


Começa recuperação de estradas
Falha em tradução de documento do Bird justificou atraso de um ano

Com um ano de atraso, a Secretaria de Estado de Transportes e Obras Públicas (Setop) anunciou ontem a liberação de R$ 148,6 milhões para a recuperação e manutenção de 524,3 km de estradas estaduais pavimentadas que cortam as regiões metropolitana de Belo Horizonte e Central. Os recursos serão aplicados até 2015, o que dá uma média de 131 km de rodovias atendidas por ano. Segundo a Setop, 30 municípios serão beneficiados pelas obras.

De acordo com o diretor geral do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), José Elcio Santos Monteze, a demora ocorreu por causa de um problema no contrato. "Como o projeto é financiado pelo Banco Mundial (Bird), tivemos uma falha na tradução do documento do inglês para o português que provocou o atraso", justificou.

As obras fazem parte do Programa de Manutenção e Recuperação Rodoviária do Estado de Minas Gerais (PROMG), que existe desde 2006. Serão feitos reparos em estradas que já faziam parte do projeto e também em seis trechos acrescentados ao atual contrato.

"A partir de amanhã (hoje), os operários já estarão atuando nos trechos. Lógico que isso não será de imediato, em todos os lugares ao mesmo tempo. Não existe varinha de condão para resolver tudo de uma vez", disse Monteze. O consórcio Aterpa/Camter venceu a licitação.

As rodovias atendidas na nova etapa ficam sob o comando da 1ª Coordenadoria Regional do DER/MG. Minas tem, no total, 40 coordenadorias, das quais 12 são contempladas pelo PROMG. O secretário de Estado de Transportes e Obras Públicas, Carlos Melles, informou ontem que as coordenadorias de Itabira, na região central, e Ituiutaba, no Triângulo Mineiro, serão incluídas em breve no programa.

Garantia. Numa tentativa para evitar serviço malfeito, o governo vai obrigar a empresa vencedora da licitação a custear o material gasto na conservação nas rodovias.

O contrato com o consórcio Aterpa/Camter tem duração de quatro anos. Na primeira fase, até novembro, será feita a recuperação preliminar dos trechos, com capina, limpeza de bueiros e melhorias na sinalização.

Na segunda, que precisa ser realizada em até dois anos, será feito o recapeamento de buracos e asfaltamento nos lugares onde for necessário. O governo só vai fornecer material asfáltico até a segunda etapa. Na terceira, que prevê a manutenção, a empresa terá que custear a matéria-prima.
Editais do Anel e da 381 podem sair neste mês
Outras duas rodovias que cortam a região metropolitana podem ser recuperadas em breve. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) informou ontem que as licitações para as obras no Anel Rodoviário e na BR-381 devem ser publicadas ainda em agosto.

A autorização para a reforma do Anel poderá ser anunciada a partir de amanhã, data em que termina a "quarentena" das licitações do Dnit imposta pelo governo após as denúncias de corrupção no órgão. As intervenções têm custo estimado em R$ 700 milhões.

Na 381, está prevista, inicialmente, a duplicação de 69 km, no trecho entre a capital e a cidade de Barão de Cocais, região Central. (JT)

endividamento coletivo


IPEA
Seis a cada dez devem mais do que ganham
Famílias que recebem até um salário são as menos endividadas

Mais de metade dos brasileiros (55%) possuem algum tipo de dívida, de acordo com estudo divulgado ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Do total de entrevistados, 62,5% devem mais do que ganham, sendo que praticamente uma em cada quatro pessoas (23%) deve mais do que cinco vezes o próprio salário.
Segundo o Ipea, a média da dívida dos brasileiros é de R$ 5.426,59 e apenas 11% considera estar muito endividado. Cerca de 26% acreditam que o valor comprometido é baixo. O restante acha que os valores a pagar são razoáveis.
De acordo com a pesquisa, as famílias que ganham de um a dois salários mínimos são as mais endividadas. Mais de 13% dos entrevistados nessa faixa salarial dizem que devem valores acima do que podem pagar. Já quem os que ganham apenas até um salário, são os que menos devem: 58% das pessoas que recebem até R$ 510 afirmaram que as contas estão equilibradas.
Desafio. Para o webdesigner André Villela, 31, manter o financiamento do carro que comprou tem sido um desafio. As prestações do automóvel, que vão até 2012, somadas às despesas que ele já possuía e às novas, adquiridas em função do bem, ultrapassam o salário. "O maior problema foi não ter me preparado para as despesas que vêm junto com o carro, como combustível e estacionamento. Neste mês tive que usar o cheque especial para pagar as contas".
De acordo com a economista da Federação do Comércio de Minas Gerais Silvânia de Araújo, o brasileiro precisa aprender a fazer dívidas de maneira correta. "O crédito permite a inclusão social e o acesso aos bens de consumo, beneficiando o consumidor e impulsionando a economia", garante.
O presidente do Ipea, Márcio Pochmann, ressalta que o uso do crédito faz parte do crescimento do país. "É fundamental que o Brasil mantenha o ritmo de expansão econômica. Isso dará mais conforto a essas famílias, para que tenham condições de pagar suas dívidas. Ao mesmo tempo, é preciso avançar na educação financeira para que possam usar melhor os instrumentos de crédito", afirmou.
Foram entrevistados 3.800 domicílios. Pela amostragem, 15% das pessoas com idade entre 30 e 39 anos possuem dívidas que não sabem como pagar. Já os com mais de 60 anos são os menos endividados e somente 7% afirmaram ter alguma dívida.
Nível de endividamento das famílias é considerado baixo
Rio de Janeiro. O nível de endividamento das famílias brasileiras ainda é considerado baixo, se comparado com outros países. Mas, entre as que têm dívidas, cerca de 38% afirmam não ter condições de pagar suas contas atrasadas no mês seguinte. As informações são de pesquisa domiciliar realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que mede o grau de otimismo quanto à economia do Brasil.
De acordo com a pesquisa, 11,08% das famílias pesquisadas afirmaram estar muito endividadas, ao passo que cerca de 72% declararam estar pouco endividadas ou não ter dívidas. "Olhando para outros países, esse é um nível de endividamento muito baixo, pois a presença de crédito no Brasil também é muito baixa", declarou o presidente do Ipea, Marcio Pochmann.
Otimismo 
Pagar depois. No Brasil, cerca de 20% das famílias possuem alguma conta atrasada - dessas, 60% acreditam que conseguirão quitar seus compromissos no mês seguinte.

Prestação. Com as facilidades do IPI reduzido, carros alavancaram o endividamento dos brasileiros





Apenas 16,4% das famílias têm como pagar suas dívidas

49,5% das famílias disseram perceber um bom momento para comprar
Fechar o orçamento do mês com a quitação integral das dívidas é a condição de apenas 16,4% das famílias entrevistadas pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Segundo o Índice de Expectativa das Famílias (IEF), estudo divulgado ontem pelo Ipea, 47,8% das famílias só serão capazes de quitar parcialmente suas dívidas, enquanto 32,8% não serão capazes de pagar os débitos atrasados.

A pesquisa mostrou que 42% das famílias estão endividadas, sendo que, deste total, 9,2% se declararam "muito endividadas". Na região Sudeste, o índice de entrevistados que disse não possuir dívidas é de 61,6%, enquanto 8,4% disseram estar muito endividados.

Ainda de acordo com o levantamento mensal, as famílias seguem crentes na economia brasileira, apesar do alto endividamento. No país, o índice de confiança das famílias é de 63,5 pontos. O valor é levemente inferior ao observado no mês de junho, quando a taxa foi de 64,1 pontos. Para 53,2% dos entrevistados, a situação econômica deve melhorar nos próximos doze meses. Na região Sudeste, 54,27% das famílias ouvidas esperam uma situação melhor.

Confira a arte animada:
A auxiliar de limpeza Ruth Meira conseguiu uma recolocação no mercado de trabalho no último mês depois de passar dois anos desempregada. Mesmo com débitos pendentes acumulados deste período, ela se diz otimista com o seu futuro financeiro. "Agora vou conseguir planejar melhor as contas e espero conseguir quitar tudo que está atrasado para voltar a consumir", conta.

Futuro. Questionadas sobre as intenções de consumo, 49,5% das famílias disseram perceber um bom momento para comprar. Já 45,4% acham que esse não é o momento ideal para novos financiamentos.

Ao tentar analisar a situação econômica do Brasil para os próximos cinco anos, 53% disseram que o país estará melhor, 25% acham que o Brasil estará pior e 20,4% não souberam responder. Na região Sudeste, a proporção foi de 47,3% para quem acha que vai melhorar e 28,3% que vai piorar.











EMPRÉSTIMO
Pesquisa aponta que poucos querem crédito
Segundo pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), é baixo o volume de famílias que pretendem fazer algum empréstimo nos próximos três meses, apesar do alto endividamento e da confiança demonstrada no futuro econômico do país.

Em todo o Brasil, apenas 6,9% das famílias entrevistadas pretendem recorrer ao serviço de crédito, enquanto 92,5% dizem não pretender obter empréstimo.

Na região Sudeste, 93,1% dos pesquisados revelou não ter a intenção de pedir dinheiro emprestado, enquanto 6% pretendem contar com o recurso extra.

Mercado de trabalho. A pesquisa também buscou identificar a expectativa das famílias sobre o mercado de trabalho.

Em todo o país, 79% dos chefes de família se consideram seguros em sua ocupação atual. Já quando se questiona a situação dos demais membros da família o otimismo é um pouco menor: 71,2%.

A expectativa de melhorias profissionais passou de 36% em junho para 38% em julho. Já 57% dos entrevistados não esperam obter melhorias profissionais nos próximos seis meses. (PG)
Controle para evitar dívidas
Pascoal Martins Carrato aconselha evitar financiamentos longos
Professor e consultor em marketing e vendas, Pascoal Martins Carrato diz que, mesmo estando confiante no crescimento econômico do país, é bom evitar fazer financiamentos longos e perder o controle das contas.


Graças a essa prática, ele está entre os 16,2% dos chefes de família que conseguem quitar integralmente as suas dívidas, segundo o Índice de Expectativa das Famílias (IEF) divulgado ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).


"Eu procuro não cair na sedução do consumismo e quase nunca compro um bem em mais de três prestações", afirma. (PG) 


Abismo de um sonho

Abraham Lincoln, o presidente norte-americano, dizia em sua sapiência: "pode-se enganar algumas pessoas todo o tempo; pode-se enganar todas as pessoas algum tempo; mas não se pode enganar todas as pessoas todo o tempo". Essa frase continua atual e requer atenção de governantes e da população do Brasil.
Para uma plateia cansada de sofrer e enfrentar as adversidades da vida, o ex-presidente Lula comportou-se como um beato nordestino, oferecendo leite e mel a seus seguidores. Medidas de várias ordens, algumas de cunho populista, fizeram-no afirmar taxativamente que, no seu governo, a pobreza sofreu duro revés e um contingente significativo de pobres conquistou benesses até então inéditas. Na pirâmide social, muitos tiveram acesso a novos patamares.
Até aí, tudo bem. Mas nas cabeças de gente reprimida, uma notícia como essa costuma gerar fantasias irrefreáveis. Isso pode explicar porque apenas 16,4% das famílias brasileiras conseguem pagar suas dívidas. É claro, ninguém fez apologia do consumo irrestrito, mas é fácil entender que a possibilidade de acesso a bens até então proibidos cause sensação e crie a ilusão do surgimento de uma nova era.
Infelizmente, não é assim. Subsidiados pelo governo e oferecidos como moeda de troca eleitoral, muitos programas entusiasmam sobretudo os adeptos do estilo PT de governo. Por boa parte da população, são vistos como um maná - só que há um preço a pagar e não será pequeno.
Quem coloca um "basta" nesse problema crescente é o próprio governo, através de providências como a elevação das taxas de juros. E, não mais que de repente, o brasileiro percebe que acreditou em uma quimera e que, agora, sobraram as cinzas de um sonho, que ele se vê obrigado a pagar, sem poder rolá-las para debaixo do tapete. Alguns arrancam cabelos, outros buscam "dar um jeito" na dificuldade. Poucos se comportaram como a formiga da fábula, que se garantiu para evitar a triste sorte da cigarra, obrigada a ouvir: "você cantava? Pois dance agora!".

O problema da dívida, já dizia o Sílvio Santos, um dos homens mais ricos do Brasil, não é do devedor, é do credor.Pelo que sei , a economia do mercado interno brasileiro vai de vento em popa. A cada dia um novo Shopping Center é inaugurado. Temos um dos maiores números de usuários de telefonia móvel.Cresceu tanto que está ruim e não sabem como melhorar.Automóvel? Já estão implorando para pararem de comprar. A turma da construção civil vai trabalhar com o seu carro próprio.Carros importados são a coqueluche dos ricos. Apartamentos e casas são todos vendidos na planta.O país cresce no PIB e com inflação baixa. O que querem mais? 


plano de metas


PLANO
Setor de chips terá incentivo
Semicondutores e banda larga são os próximos a receber benefício da União

São Paulo. A presidente Dilma Rousseff deve anunciar em breve novas medidas de incentivo às áreas de semicondutores e banda larga. Sem dar detalhes, o ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, destacou que as medidas deverão estimular o investimento. "Esperamos entrar no clube dos 20 países com indústria de semicondutores e no clube dos quatro que têm produção do display, a tela de toque", destacou.

A prioridade do governo é estimular a produção de diversos itens no Brasil, entre eles tablets, notebooks e semicondutores. Para tanto, uma das medidas incluídas no plano Brasil Maior, apresentado anteontem, foi a aplicação de uma chamada margem de preferência: o governo pode comprar produtos manufaturados no Brasil até 25% mais caros que os estrangeiros. "É um instrumento que já existe nos Estados Unidos e em diversos outros países e que reflete uma política consciente do Estado de utilizar sua capacidade de compra para fortalecer a cadeia produtiva e a inovação", disse.

A proposta visa estimular os investimentos nos setores de tecnologia da informação (TI) e comunicação, assim como nas áreas de defesa e saúde. Para a área de TI e comunicação, o ministro justificou com o Plano Nacional de Banda Larga e a inclusão digital.

Faltam ajustes. As desonerações e os incentivos para o setor de telecomunicações estavam prontos para serem divulgados dentro do plano Brasil Maior, anteontem, mas foram retiradas em cima da hora, para que novos ajustes possam ser feitos.

Um dos pontos deve ser voltado para a construção de redes de telecomunicações, com alíquota zero de IPI, PIS e Cofins nos investimentos em obras civis, equipamentos e serviços de instalação e implantação. O Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores (Padis) também deveria ser aperfeiçoado. Fornecedores de insumos e equipamentos para a fabricação de displays e microeletrônica seriam incluídos, além da concessão de crédito prêmio de IPI nas compras desses bens intermediários.

ANÁLISE
Plano cria um desafio fiscal
BRASÍLIA.Se fez a alegria, ainda que parcial, da indústria, a nova política industrial, chamada de plano Brasil Maior, impôs um desafio fiscal ao governo Dilma Rousseff em 2012. O próximo ano já começará pressionado do lado dos gastos pelo reajuste do salário mínimo, e também começa a se apresentar incerto do lado das receitas, por causa da desaceleração da economia e da turbulência global.

Nesse cenário, a nova política industrial representa despesas adicionais de quase R$ 20 bilhões em 2012. Esse montante é semelhante ao impacto esperado com os aumentos do mínimo (R$ 23 bilhões) e do funcionalismo (R$ 20,6 bilhões).

A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2012 já foi aprovada pelo Congresso e os custos adicionais trazidos pela política industrial não constam do planejamento. O governo tem até 31 de agosto para enviar o Orçamento Geral da União de 2012, que é a proposta efetiva de gastos do Executivo para o próximo ano.

"Vamos ter que ajustar o Orçamento, não tem jeito, teremos que olhar 2012 de novo", afirmou uma fonte que prefere não se identificar, acrescentando com pouca convicção: "Acreditamos que vamos ter receitas".

Para tampar os buracos, a União já conta com tributação recém-implementada: 1% do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre operações com derivativos. Essa medida, adotada para tentar segurar a queda do dólar, pode assegurar R$ 10 bilhões aos cofres públicos.

Compensaria com folga o aporte que o Tesouro Nacional terá que fazer na Previdência Social para zerar a fatura da desoneração da folha de pagamento das empresas dos setores calçadista, de confecções, moveleiro e de software.
Mais Cofins a desonerados
Brasília.Três dos quatro setores que tiveram desoneração da folha de pagamento – têxtil, móveis e calçados – não tiveram apenas redução de importos. Segundo a medida provisória 540, publicada ontem, essas empresas também vão passar a pagar 1,5 ponto percentual a mais de Cofins sobre a importação de produtos acabados. Segundo a Receita Federal, essa medida resultará numa arrecadação adicional de R$ 2 milhões neste ano.

Ato falho. Mercadante está tão empolgado que chegou a incluir "inovação" no nome do ministério



ódio racial


Partidos de extrema-direita avançam nos países europeus
Autor de ataques em Oslo, extremista da direita optou pela violência

HELOÍSA MENDONÇA

O atentado a bomba e o tiroteio que fizeram pelo menos 77 vítimas na Noruega, no dia 22 de julho, reacenderam discussões sobre o crescimento dos partidos da extrema-direita na Europa.

"Eles vêm crescendo em termos de importância e apoio rapidamente. Isso está relacionado com a propaganda ideológica islamofóbica e contra os imigrantes. A longo prazo, esse código anti-islâmico oferece um perigo considerável para a convivência dos diferentes povos na Europa e também para a sua relação com o exterior", afirma Hajo Funke, professor da Universidade Livre de Berlim, um dos maiores especialistas em extremismo da Alemanha.

De acordo com Rodrigo Patto Sá, professor de história contemporânea da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o retorno da extrema-direita vem ocorrendo desde a década de 80. "Ela nunca sumiu do mapa político. O que aconteceu foi que, depois da guerra, ela se tornou mais frágil, já que os nazistas e fascistas foram derrotados, e as ideias por eles defendidas fracassaram", explica Sá. O professor também afirma que a situação atual da Europa é um estímulo para o apoio de ideias radicais.

"Com o desemprego estrutural permanente, a presença dos imigrantes ficou mais incômoda. Não há emprego para todo mundo e a situação econômica é ruim, o que estimula o apoio a partidos radicais. Os partidos tradicionais estão um pouco sem rumo na crise. Por isso, a extrema-direita pode ser vista como alternativa", afirma Sá.

Atentados. Para Deisy Ventura, professora de direito internacional da Universidade de São Paulo (USP), os atentados de Oslo cometidos por Anders Behring Breivik são gestos políticos claros. O autor decidiu praticá-los por considerar que a política institucional não mais respondia aos seus anseios. Ele optou, então, pela violência extrema, como modo de chamar a atenção para sua causa, declarada diante do tribunal, na última segunda-feira (25), e em diversas manifestações na internet: o combate ao islamismo, ao marxismo e à imigração.

O crescimento da xenofobia provocou inúmeros gestos de violência contra imigrantes em diversos países da Europa. Porém, de acordo com Ventura, Breivik preferiu atacar os políticos que, em seu modo de ver, permitiram que os imigrantes entrassem na Noruega. Apostou, ainda, na eliminação de futuros líderes trabalhistas.

"Talvez esse choque lembre a Europa de que boa parte de sua classe política tem atribuído ao estrangeiro - aliás, injustamente - as mazelas de suas economias e sociedades em crise. E que esse discurso, levado ao seu extremo, encoraja atos como os de Breivik, baseados na suposição estúpida de que a eliminação da migração eliminaria também os problemas da Europa. Creio que o paralelo com a diabolização dos judeus, ciganos e homossexuais, entre outros, explorada pelos nazistas durante a Segunda Guerra mundial, precisa ser analisado a fundo", explica Ventura.
Perfil
Extrema-direita. Para esses movimentos na Europa, a internet é fundamental, segundo a Europol (polícia europeia). É na plataforma virtual que esses grupos mantêm a maior parte de suas atividades.
NOVO PERFIL
Assassinos compartilham "fantasia"
Segundo Ilana Casoy, pesquisadora de criminologia, o perfil de assassinos de chacinas, como a de Oslo, mudou nos últimos tempos com a presença da internet. "Antes eles eram solitários. A gente falava de uma pessoa que vivia numa cabana, isolado, como o caso do ´Unabomber´ (condenado à prisão perpétua por uma série de atentados a bomba). Na nova geração, os matadores são diferentes porque são pseudo conectados, não fisicamente, eles não possuem habilidades sociais, mas possuem comunidades, redes sociais como Facebook e Twitter", afirma.
De acordo com Ilana Casoy, com a internet, passa a existir uma fantasia compartilhada. "Você percebe um comportamento em grupo. No mundo sem internet era impossível, elas se amparam, porque o outro te dá referência. Provavelmente, Breivik conversava com pessoas parecidas, achou cara-metades que fantasiavam em um terra sem lei que é a internet", conclui. (HM)

desigualdade social


Educação de negros aumenta, mas desigualdades persistem
A escolaridade dos filhos é muito maior que a dos pais em todas as raças
Rio de Janeiro. Embora ainda estejam longe do nível de escolaridade dos brancos, os negros estão deixando para trás a herança de poucos anos de estudos de seus pais. Pesquisa sobre cor e raça feita pelo IBGE em cinco Estados e no Distrito Federal mostra que a distância entre a escolaridade de pais e filhos é maior entre negros e pardos que entre brancos. A desigualdade racial na educação, no entanto, persiste.
A escolaridade dos filhos é muito maior que a dos pais em todas as raças, em consequência da ampliação do acesso à escola dos anos 1990 em diante. Especialistas destacam, porém, que os avanços entre negros e pardos são maiores porque partiram de bases muito baixas.
A proporção de filhos negros com 12 anos ou mais de estudos - pelo menos ensino médio completo - é quatro vezes maior que das mães e três vezes maior que dos pais da mesma cor. No caso dos brancos, a proporção de filhos na faixa mais alta de escolaridade é três vezes maior que das mães e o dobro dos pais.
Segundo a pesquisa, apenas 2,8% dos pais negros tinham 12 anos ou mais de estudos, enquanto os pais brancos chegavam a 9,7%. Entre mães negras, somente 2,1% tinham o ensino médio completo, índice que chegava a 6,9% entre as mães brancas.
Apesar do progresso em relação aos estudos dos pais, a diferença entre filhos negros e brancos continua gritante. Menos de um em cada dez filhos negros entrevistados pelo IBGE (9,2%) completou o ensino médio. Entre os brancos, quase um em cada quatro (23%) tinha pelo menos 12 anos de estudos.
"Um nível mais alto de educação entre negros e pardos, que há algumas décadas não estava no imaginário social, começa a fazer parte da realidade. Emblematicamente, é muito importante. Mas em números absolutos e relativos ainda é muito pouco", diz o pesquisador do IBGE José Luís Petruccelli, coordenador da pesquisa de cor e raça, que ouviu 15 mil pessoas de 15 anos ou mais, em 2008.
A pesquisa mostrou que, entre todos os entrevistados, 49% se declararam brancos e 7,8% negros. No universo dos que têm 12 anos ou mais de estudos, as proporções se alteram: 71% eram brancos e apenas 4,5% negros.
Proporção. Menos de 10% dos negros completaram o ensino médio. Entre os brancos, faixa é de 23%
ANÁLISE
Acesso não garante qualidade
Rio de Janeiro. O professor da UFRJ Marcelo Paixão, especializado no estudo de raças, ressalta que a diferença da escolaridade dos filhos em relação aos pais seria bem maior e a desigualdade entre negros e brancos muito menor se a expansão de alunos fosse acompanhada de qualidade na educação.
"Os filhos estão se distanciando da baixa escolaridade dos pais, mas o avanço ainda é muito lento para ser comemorado. A diferença tem de aumentar até o filho do analfabeto chegar a doutor, tanto o branco quanto o negro. O salto grande será quando os anos de estudos de brancos e negros se equipararem", afirma.
Para o professor, a comparação da escolaridade de pais e filhos é "um indicador que não admite muita condescendência". Ele explica: "Não estamos comparando a riqueza de pais e filhos, que pressupõe um patrimônio físico, depende de uma série de fatores. Estamos falando de educação, em que os avanços podem ser muito mais rápidos com a expansão da presença nas escolas", diz. Segundo ele, a escola conseguiu se massificar, mas o aproveitamento escolar é muito baixo, em especial para os negros.
Educadores apontam para a participação e o estímulo dos pais, mesmo aqueles de baixa escolaridade, são fatores fundamentais para o aprendizado dos filhos. Mas ressaltam que, nas famílias em que o estudo é pouco valorizado, a escola deve assumir o papel de incentivadora dos alunos.

VIGILÂNCIA
Receita quer pegar pequena e média empresa
Novo sistema de malha fina funcionará a partir de 2013

Brasília. A Secretaria da Receita Federal vai fechar o cerco a pequenas e médias empresas com um novo sistema de malha fina. Será uma fiscalização por meio do cruzamento de todos os dados declarados pelas companhias. O subsecretário de Fiscalização da Receita Federal, Caio Marcos Cândido, disse que um novo sistema de malha fina para as pequenas e médias empresas deverá estar funcionando plenamente em 2013.
Para o diretor tributário da Confirp Contabilidade, Welinton Mota, tudo caminha para que o pagamento de tributos pelas empresas no Brasil se transforme em um verdadeiro "big brother tributário". Isso porque a Receita pretende cruzar os dados de todas as declarações prestadas, além de informações obtidas por meio da nota fiscal eletrônica e da chamada escrituração digital.
"Nossa ideia é implementar a primeira fase no ano que vem. Vamos organizar o sistema, começar a colocar lá as informações. Mas os cruzamentos de dados devem começar somente em 2013", disse Caio Marcos. Para as grandes empresas do país, que já têm um acompanhamento especial por parte do Fisco, não haverá grandes mudanças.
Quando esse cruzamento de dados começar a acontecer, a Receita Federal pretende disponibilizar um serviço de autorregularização para as empresas, semelhante ao que já é liberado para as pessoas físicas. Por meio dessa autorregularização, as empresas poderão quitar seus débitos com o Fisco, antes de a multa de ofício ser lançada, pela internet.
De acordo com o coordenador geral de fiscalização da Receita, Antônio Zomer, o projeto é ousado. A meta é, pelo menos, multiplicar por sete a fiscalização das pessoas jurídicas efetuada por meio de sistemas.
Atualmente, a revisão das declarações das pessoas jurídicas somam cerca de 3,5 mil por ano, segundo informações da Receita Federal. A meta é chegar, com o novo sistema, a uma fiscalização de 25 a 30 mil empresas anualmente. A fiscalização, segundo ele, também englobará os valores pagos ao INSS.
Tendência As médias empresas serão observadas mais de perto pelo software inteligente da Receita Federal, sem chances da empresa escapar
Antônio Zomer, coordenador da Receita Federal, disse que o projeto é ousado
Lei da Bielorrúsia proíbe reunião de "à-toas" nas ruas ILYA MOUZYKANTSKII
New York Times

Nova York, EUA. Autoridades na Bielorrússia lidam com uma nova onda de protestos criativos de forma surpreendente. Uma lei que proíbe pessoas de ficarem em pé, juntas, fazendo nada nas ruas.
O projeto proíbe "a presença de massas conjuntas de cidadãos em um espaço público que tenha sido escolhido com antecedência, incluindo espaços fechados e abertos, e em um horário planejado com o propósito de formar uma ação, ou inação, que tenha sido planejada previamente, e seja uma forma de expressão de sentimentos públicos, ou políticos, ou protestos". Qualquer pessoa que for apreendida nessa situação estará sujeita a uma pena de até 15 dias de cadeia.
Decorrentes da crise econômica e da insatisfação popular, os protestos têm sido organizados em redes sociais cujas bases ficam fora do país, e encorajam os cidadãos a desenvolver formas criativas e engenhosas de manifestação. Já houve casos de pessoas batendo palmas simultaneamente, andando em círculos, ou centenas de pessoas, cujos alarmes do celular foram acionados para soar no mesmo instante.
As provocações sutis têm estimulado a maior onda de repressão desde o início do governo do presidente Alexander G. Lukashenko, há 17 anos no poder. Mais de 2.000 manifestantes foram presos desde o protesto das palmas, em junho. As sentenças vão de cinco a 15 dias de prisão.
No país, é preciso ter licença para protestar, e as licenças raramente são concedidas à oposição. Reuniões silenciosas, entretanto, não requerem permissões. Danila Barysevich, administradora do grupo online responsável pela organização de protestos, chamou o projeto de lei de absurdo, e explica que a medida poderia ser usada contra "qualquer fila ou grupo de pessoas nos parques".
Outro foco de repressão é a música russa "We want Change", de Viktor Tsoi. Após ser adotada como um hino revolucionário dos protestos da juventude, oposicionistas informam que a canção foi banida das rádios da Bielorrússia.
Traduzido por Luiza Andrade.


Sandra Starling
O desespero de consumir é razão de distúrbios

Caos urbano e consumismo desenfreado
A semana que passou me fez refletir muito sobre o que andamos fazendo com nossas vidas nas cidades. O texto de Acílio Lara Resende me fez atentar para o fato de que não estou mais gostando de ir e vir entre Belo Horizonte e Santa Luzia, dirigindo meu próprio carro, como fazia até pouco tempo atrás.

Morro de medo das motocicletas que nos cortam pela direita e pela esquerda. Só faltam subir no capô e passar por cima. Trocar de pista virou uma tortura. Mas o caos não se cinge às grandes cidades. No início deste ano, fui a Mariana fazer uma palestra e fiquei horrorizada com o trânsito pesadíssimo naquela linda pérola colonial mineira.

Até em Brasília, onde as vias expressas facilitavam o trânsito, a coisa ficou de dar medo. Como há inúmeros cruzamentos fora das famosas tesourinhas, é preciso estar muito atento para não ser trombado pelos carros em alta velocidade. Nas imediações do Palácio da Alvorada, é inacreditável como os carros passam voando, verdadeiros bólidos, ostensivamente violando os avisos de área de segurança, em velocidades no dobro ou triplo do máximo autorizado. Um escracho.

Em artigo publicado em um jornal carioca, li também uma crítica ao presidente Lula por ter dado tantas isenções aos fabricantes de carros e motos, incentivando a compra desmesurada desses bens. Somando-se a isso o fato de que, com a concentração de renda, a maioria dos ricos possui mais carros do que os dedos da própria mão e diante da inexistência de bons modais de transporte de massas, vamos todos contribuindo com a nossa parte para os engarrafamentos no início do trabalho, na hora do almoço, nas saídas e entradas dos colégios, no retorno à casa à noite, depois de estafantes jornadas laborais ou de estudo.

A igualdade social virou essa coisa: todos temos o nosso direito individual à retenção no trânsito, quando deveríamos exigir transporte coletivo de qualidade e ambientalmente adequado. Para todos.

Por isso, ando receosa com o que possa acontecer com esse plano de apoio à indústria nacional. É verdade que o governo teve o cuidado de anunciar que, desta vez, não se trata de facilitar a compra desvairada de automóveis ou motocicletas. Disseram que os subsídios serão destinados à promoção de inovação tecnológica. Será que, pelo menos, substituirão os motores a combustão das motos, altamente poluidores, por modernas baterias elétricas de lítio?

Fico realmente com um pé atrás porque sei como se pode maquiar um produto e fazê-lo passar por coisa nova. E sei também do desejo incontido - e poderia ser de outra forma? - dos que agora, com melhoria de renda, podem pela primeira vez adquirir o status de dono de um carro ou uma moto. Ainda bem que aqui não estamos tendo um desemprego como na Europa: todos têm acompanhado os motins de violência explícita em Londres e outras cidades inglesas. Os analistas apontam: o desespero de consumir, diante do consumismo desenfreado na sociedade inglesa, é a razão dos distúrbios. Sinto medo do futuro.

aconteceu no USA

No limite

PAUL KRUGMAN
Colunista do "The New York Times" Prêmio Nobel de Economia em 2008

Em aproximadamente um mês, se nada for feito, o governo norte-americano atingirá o limite da sua dívida estabelecido pela lei. Haverá consequências terríveis se esse limite não for elevado. Na melhor das hipóteses, haverá uma redução da atividade econômica; na pior, voltará a crise financeira de 2008-2009. Portanto, poderíamos considerar um fracasso se o teto da dívida não for aumentado? Nem tanto.

Analistas continuam complacentes acerca do teto da dívida; segundo eles, a gravidade das consequências, no caso da não elevação do teto, assegura que, no fim, os políticos farão o que precisa ser feito. Mas essa complacência deixa de lado dois fatos: o extremismo do Partido Republicano e a necessidade urgente de o presidente Barack Obama estabelecer um limite na extorsão republicana.

O limite da dívida federal é uma peculiaridade estranha da lei orçamentária norte-americana. Como a dívida é consequência das decisões sobre impostos e gastos, e o Congresso já toma essas decisões sobre impostos e gastos, por que exigir uma votação extra sobre a dívida? Além disso, tradicionalmente, o limite da dívida é tratado como um detalhe menor. Durante o governo do presidente George W. Bush - que acrescentou US$ 4 trilhões à dívida nacional -, o Congresso, com um pouco de fanfarrice, votou a favor da elevação do teto da dívida nada mais, nada menos que sete vezes.

Então, o uso do teto da dívida para extorquir concessões políticas não é algo novo na política norte-americana. E parece que isso surpreendeu Obama.

Em dezembro, após Obama concordar em estender as reduções de impostos da era Bush - medida que muitas pessoas, eu inclusive, viram como uma cessão à chantagem republicana -, Marc Ambiender, da revista "The Atlantic", perguntou por que o acordo não incluiu uma elevação do limite da dívida para evitar antecipadamente uma situação "com reféns" (nas minhas palavras, não de Ambiender).

A atitude do presidente pareceu tola até mesmo naquele momento. Ele supôs que "ninguém, democrata ou republicano, vai querer ver toda credibilidade e crédito do governo dos Estados Unidos irem por água abaixo". E ele tinha certeza de que John Boehner, presidente da Câmara dos Deputados, aceitaria suas "responsabilidades em governar". Bem, já sabemos o que aconteceu.

Agora, Obama estava certo quanto aos perigos de não se elevar o limite da dívida. Na verdade, ele subestimou a situação ao focar apenas na confiança financeira.

Não que isso não seja importante. Um fracasso na elevação do limite da dívida - que, entre outras coisas, atrapalharia os pagamentos da dívida já existente - poderia convencer os investidores de que os EUA deixaram de ser um país sério e responsável, o que pode acarretar consequências graves. Além disso, ninguém sabe o que uma moratória norte-americana provocaria no sistema financeiro mundial, que é construído sob a suposição de que a dívida do governo dos EUA é o bem mais seguro do mundo.

Mas a confiança não é a única coisa em jogo. Um fracasso em elevar o limite da dívida também forçaria o governo norte-americano a realizar cortes drásticos e imediatos nos seus gastos, em uma escala que colocaria no chinelo a austeridade imposta sobre a Grécia. E não acredite nas besteiras sobre os benefícios dos cortes de gastos que tomaram grande parte do discurso público: reduzir os gastos em um período no qual a economia está profundamente deprimida destruiria centenas de milhares (e possivelmente milhões) de empregos. Então, a falta de acordo na questão da dívida teria consequências muito ruins. Mas eis o problema: Obama precisa se preparar para enfrentar essas consequências se ele quiser que sua presidência sobreviva.

Não se esqueça de que os líderes republicanos não se preocupam de fato com o nível da dívida. Pelo contrário, eles estão usando a ameaça de crise da dívida para impor uma pauta ideológica. Se tinha alguma dúvida sobre isso, a discussão da semana passada deveria ter lhe convencido. Os democratas engajados nas negociações da dívida argumentaram que, já que supostamente estamos com problemas fiscais, devemos conversar sobre uma limitação dos impostos para as corporações e fundos de investimento, assim como uma redução do auxílio aos pobres e desafortunados. E os republicanos, em contrapartida, simplesmente abandonaram as negociações.

Então, podemos nos preparar para uma extorsão pura e simples. Como destaca Mike Konczal, do Instituto Roosevelt, os republicanos chegaram com um porrete e declararam: "Que economia bonitinha que vocês têm aqui. Seria uma pena se algo acontecesse a ela".

Eles estão fazendo isso porque devem acreditar que vai funcionar. Obama cedeu aos cortes de impostos, e eles esperam que ele ceda novamente. Acreditam que estão com a situação política sob controle, já que a opinião pública culpará o presidente pela crise econômica que eles estão ameaçando criar. De fato, é difícil evitar a suspeita de que os líderes republicanos realmente querem que a economia vá mal.

Em suma, os republicanos acreditam que encontraram o ponto fraco de Obama, que ele pode ainda estar morando na Casa Branca, mas que, por motivos práticos, a Presidência dele já foi por água abaixo. É hora - até já passou da hora - de Obama provar que eles estão errados.

EUROPA


EUROPA
Líderes querem impostos sobre sistema financeiro
Merkel e Sarkozy prometem defender o euro com políticas austeras

PARIS. Os líderes da França e da Alemanha, sob pressão para conter a crise de dívida na Europa, concordaram em apresentar propostas em setembro por um imposto sobre transações financeiras e buscar uma governança econômica mais coordenada na zona do euro, disse o presidente francês, Nicolas Sarkozy, ontem, após reunião em Paris com a chanceler alemã, Angela Merkel. Eles também proporão que todos os 17 países da zona do euro se comprometam com o equilíbrio das finanças e coloquem essa meta em suas Constituições até meados de 2012.

Entre outras medidas anunciadas, ele disse que buscariam uma melhor governança econômica para a zona do euro, com reuniões semestrais dos líderes, e a criação de uma presidência com mandato de dois anos e meio para chefiar os fóruns. "Nós queremos expressar nossa absoluta vontade de defender o euro e assumir as responsabilidades particulares de Alemanha e França na Europa e ter, em todos esses assuntos, uma completa união de opiniões", afirmou Sarkozy no Palácio do Eliseu, acompanhado de Merkel.

"A Alemanha e a França se sentem absolutamente obrigadas a fortalecer o euro como nossa moeda em comum e restaurar a confiança do mercado após um ano e meio de turbulência, que não diminuiu mesmo após a ajuda à Grécia, à Irlanda e a Portugal e à criação de um fundo anticontágio", completou Merkel.

Os dois estavam sob pressão para criar planos que ajudem a zona do euro e restaurem a confiança do mercado, após um ano e meio de crise que se recusa a acabar, apesar dos empréstimos internacionais cedidos a Grécia, Irlanda e Portugal, e da criação de um fundo de resgate.

Sobre o imposto nas transações financeiras, Sarkozy disse que a proposta será apresentada no âmbito da União Europeia em setembro pelos ministros das Finanças da Alemanha e da França. "Isso é uma prioridade para nós", afirmou.

Os dois governos podem estar pavimentando o caminho para um união política maior para a questão do bônus da zona do euro.
MERCADO
Bovespa cai com perdas na Europa
São Paulo. Depois de cinco dias de alta consecutiva, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em baixa ontem, influenciada pela queda nos mercados no exterior. O Ibovespa, o termômetro dos negócios da Bolsa, caiu 0,60%, atingindo os 54.323 pontos. O giro financeiro foi de R$ 5,91 bilhões -bem menor que nos últimos dias, quando os negócios chegaram a passar de R$ 10 bilhões.

Nos Estados Unidos, o Dow Jones teve queda de 0,67%. O Nasdaq, dominado pelo setor tecnológico, caiu 1,24%. De acordo com a equipe de pesquisa da Planner Corretora, havia previsão de desvalorização desde o início da sessão, com a divulgação de dados fracos sobre o crescimento da economia alemã e a expectativa do mercado sobre a reunião do presidente francês, Nicolas Sarkozy, e a chanceler da Alemanha, Angela Merkel.

Após o encontro, os líderes anunciaram que planejam instaurar um imposto comum sobre transações financeiras e um governo conjunto de política econômica para conter a crise.

Mas não propuseram aumentar o fundo de ajuda aos países da região. Os principais bolsas da Europa fecharam em baixa. Na Bolsa de Paris, a queda foi de 0,25%. A Bolsa de Frankfurt fechou em baixa de 0,45%.

Nicolas Sarkozy e Angela Merkel se encontraram ontem na França

Agência Fitch mantém a nota AAA para os Estados
SÃO PAULO. A agência de classificação de risco Fitch reafirmou ontem a nota AAA, atribuída à dívida soberana dos Estados Unidos, com perspectiva estável. "Os pilares principais para o cenário de crédito no país continuam intactos: seu papel crucial no sistema financeiro global e a economia flexível, diversificada e saudável que está em sua base de receita", argumentou a Fitch.

No dia 5, a agência Standards & Poor´s (S&P)rebaixou a nota da dívida americana de AAA para AA+ devido aos riscos políticos e ao peso da dívida norte-americana em relação ao PIB. No entanto, a Fitch informou que os Estados Unidos têm a situação mais crítica entre os países que têm a nota AAA. As agências de classificação de risco mais tradicionais são Fitch, Moody´s e S&P.
Giro pelo mundo
Como foi o comportamento das bolsas pelo mundo ontem:

Ibovespa (Brasil) -0,60
Dow Jones (EUA) -0,67
Nasdaq (EUA) -1,24
S&P 500 (EUA) -0,97
CAC 40 (França) -0,25
DAX 30 (Alemanha) -0,45
FTSE100 (Inglaterra) +0,13 IBEX 35 (Espanha) -0,40
Nikkei (Japão) +0,23
Shanghai (China) -0,71
A grande fraude é a tentativa vigarista de culpar o capitalismo pela megacrise na zona do Euro.Todos os países envolvidos na falência monetária-financeira são de bandeiras socialista ou social-democrata.A causa,na verdade,é a ausência do conservadorismo-liberal.O crime de lesa-pátria,do gigantismo Estatal e o irresponsável e insano endividamento público sem limites,acabou.A era do dinheiro falso e sem lastro,a partir do nada,está definitivamente encerrada.A distribuição de benesses pelo Estado,sem a contra-partida da economia sustentável (geração de riquezas reais)é a causa dessa vigarice governamental.Claro,os apologistas da ideologia marxista,cinicamente,querem desmentir isso.PS-A União Europeia,é mais uma obra do governo oculto mundial,uma aventura absurda que congerga países com estrutura econômica totalmente inconciliáveis.O que tem Grécia a ver com uma Alemanha? O fim do Euro,é uma realidade de pouco meses,assim como,o fim do Dólar,também.Todo esse teatro de absurdos,tem uma única meta:a implantação generalizada do maior caos monetário-financeiro,da história mundial,para consolidar a satânica Nova Ordem (desordem) Mundial Carlo Germani


SANGUESSUGAS


SANGUESSUGAS
Ministério Público pede pena mais rigorosa

O ex-prefeito do município de São José da Varginha, na região Central de Minas, Edir Raimundo Nogueira (sem partido), e outras seis pessoas correm o risco de serem condenados novamente por envolvimento no esquema conhecido como a máfia mineira das sanguessugas. O Ministério Público Federal (MPF) recorreu da decisão da 5ª Vara Federal que condenou o grupo por improbidade administrativa em junho deste ano.

O MPF pede que, além da punição já definida, os acusados também sejam condenados por "dano moral coletivo por terem colocado em risco a credibilidade do poder público".

Segundo a ação do MPF, por meio de licitações fraudulentas para a compra de ambulâncias e equipamentos hospitalares, o grupo desviou recursos do Ministério da Saúde direcionados à cidade, nos mesmos moldes do esquema nacional da máfia das sanguessugas, descoberto em 2006.

O MPF enumerou diversas irregularidades, algumas inclusive constatadas por meio de auditoria - como direcionamento da licitação, ausência de pesquisa de preços no mercado, superfaturamento e prejuízo aos cofres públicos.

Na sentença, a Justiça condenou todos os réus ao ressarcimento do prejuízo causado aos cofres públicos e pagamento de multa, proibindo-os de estabelecer contratos com órgãos públicos e de receber incentivos fiscais. No caso do ex-prefeito e dos empresários envolvidos na fraude, as penas foram mais duras: além de multas mais altas e prazos mais longos nos impedimentos, eles também tiveram os direitos políticos suspensos pela Justiça por três anos.

Procurado pela reportagem de O TEMPO , o ex-prefeito Edir Raimundo Nogueira negou as acusações e disse que ainda não tem um posicionamento sobre a possibilidade de uma nova condenação, pedida pelo MPF.

Questionado sobre o que foi apresentado como defesa na época em que a ação foi ajuizada, em 2009, ele afirmou que não se lembra com detalhes do documento.

17/08/2011 LARISSA ARANTES