Partidos de extrema-direita avançam nos países europeus
Autor de ataques em Oslo, extremista da direita optou pela violência
O atentado a bomba e o tiroteio que fizeram pelo menos 77 vítimas na Noruega, no dia 22 de julho, reacenderam discussões sobre o crescimento dos partidos da extrema-direita na Europa.
"Eles vêm crescendo em termos de importância e apoio rapidamente. Isso está relacionado com a propaganda ideológica islamofóbica e contra os imigrantes. A longo prazo, esse código anti-islâmico oferece um perigo considerável para a convivência dos diferentes povos na Europa e também para a sua relação com o exterior", afirma Hajo Funke, professor da Universidade Livre de Berlim, um dos maiores especialistas em extremismo da Alemanha.
De acordo com Rodrigo Patto Sá, professor de história contemporânea da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o retorno da extrema-direita vem ocorrendo desde a década de 80. "Ela nunca sumiu do mapa político. O que aconteceu foi que, depois da guerra, ela se tornou mais frágil, já que os nazistas e fascistas foram derrotados, e as ideias por eles defendidas fracassaram", explica Sá. O professor também afirma que a situação atual da Europa é um estímulo para o apoio de ideias radicais.
"Com o desemprego estrutural permanente, a presença dos imigrantes ficou mais incômoda. Não há emprego para todo mundo e a situação econômica é ruim, o que estimula o apoio a partidos radicais. Os partidos tradicionais estão um pouco sem rumo na crise. Por isso, a extrema-direita pode ser vista como alternativa", afirma Sá.
Atentados. Para Deisy Ventura, professora de direito internacional da Universidade de São Paulo (USP), os atentados de Oslo cometidos por Anders Behring Breivik são gestos políticos claros. O autor decidiu praticá-los por considerar que a política institucional não mais respondia aos seus anseios. Ele optou, então, pela violência extrema, como modo de chamar a atenção para sua causa, declarada diante do tribunal, na última segunda-feira (25), e em diversas manifestações na internet: o combate ao islamismo, ao marxismo e à imigração.
O crescimento da xenofobia provocou inúmeros gestos de violência contra imigrantes em diversos países da Europa. Porém, de acordo com Ventura, Breivik preferiu atacar os políticos que, em seu modo de ver, permitiram que os imigrantes entrassem na Noruega. Apostou, ainda, na eliminação de futuros líderes trabalhistas.
"Talvez esse choque lembre a Europa de que boa parte de sua classe política tem atribuído ao estrangeiro - aliás, injustamente - as mazelas de suas economias e sociedades em crise. E que esse discurso, levado ao seu extremo, encoraja atos como os de Breivik, baseados na suposição estúpida de que a eliminação da migração eliminaria também os problemas da Europa. Creio que o paralelo com a diabolização dos judeus, ciganos e homossexuais, entre outros, explorada pelos nazistas durante a Segunda Guerra mundial, precisa ser analisado a fundo", explica Ventura.
Perfil
Extrema-direita. Para esses movimentos na Europa, a internet é fundamental, segundo a Europol (polícia europeia). É na plataforma virtual que esses grupos mantêm a maior parte de suas atividades.
"Eles vêm crescendo em termos de importância e apoio rapidamente. Isso está relacionado com a propaganda ideológica islamofóbica e contra os imigrantes. A longo prazo, esse código anti-islâmico oferece um perigo considerável para a convivência dos diferentes povos na Europa e também para a sua relação com o exterior", afirma Hajo Funke, professor da Universidade Livre de Berlim, um dos maiores especialistas em extremismo da Alemanha.
De acordo com Rodrigo Patto Sá, professor de história contemporânea da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o retorno da extrema-direita vem ocorrendo desde a década de 80. "Ela nunca sumiu do mapa político. O que aconteceu foi que, depois da guerra, ela se tornou mais frágil, já que os nazistas e fascistas foram derrotados, e as ideias por eles defendidas fracassaram", explica Sá. O professor também afirma que a situação atual da Europa é um estímulo para o apoio de ideias radicais.
"Com o desemprego estrutural permanente, a presença dos imigrantes ficou mais incômoda. Não há emprego para todo mundo e a situação econômica é ruim, o que estimula o apoio a partidos radicais. Os partidos tradicionais estão um pouco sem rumo na crise. Por isso, a extrema-direita pode ser vista como alternativa", afirma Sá.
Atentados. Para Deisy Ventura, professora de direito internacional da Universidade de São Paulo (USP), os atentados de Oslo cometidos por Anders Behring Breivik são gestos políticos claros. O autor decidiu praticá-los por considerar que a política institucional não mais respondia aos seus anseios. Ele optou, então, pela violência extrema, como modo de chamar a atenção para sua causa, declarada diante do tribunal, na última segunda-feira (25), e em diversas manifestações na internet: o combate ao islamismo, ao marxismo e à imigração.
O crescimento da xenofobia provocou inúmeros gestos de violência contra imigrantes em diversos países da Europa. Porém, de acordo com Ventura, Breivik preferiu atacar os políticos que, em seu modo de ver, permitiram que os imigrantes entrassem na Noruega. Apostou, ainda, na eliminação de futuros líderes trabalhistas.
"Talvez esse choque lembre a Europa de que boa parte de sua classe política tem atribuído ao estrangeiro - aliás, injustamente - as mazelas de suas economias e sociedades em crise. E que esse discurso, levado ao seu extremo, encoraja atos como os de Breivik, baseados na suposição estúpida de que a eliminação da migração eliminaria também os problemas da Europa. Creio que o paralelo com a diabolização dos judeus, ciganos e homossexuais, entre outros, explorada pelos nazistas durante a Segunda Guerra mundial, precisa ser analisado a fundo", explica Ventura.
Perfil
Extrema-direita. Para esses movimentos na Europa, a internet é fundamental, segundo a Europol (polícia europeia). É na plataforma virtual que esses grupos mantêm a maior parte de suas atividades.
NOVO PERFIL
Assassinos compartilham "fantasia"
Segundo Ilana Casoy, pesquisadora de criminologia, o perfil de assassinos de chacinas, como a de Oslo, mudou nos últimos tempos com a presença da internet. "Antes eles eram solitários. A gente falava de uma pessoa que vivia numa cabana, isolado, como o caso do ´Unabomber´ (condenado à prisão perpétua por uma série de atentados a bomba). Na nova geração, os matadores são diferentes porque são pseudo conectados, não fisicamente, eles não possuem habilidades sociais, mas possuem comunidades, redes sociais como Facebook e Twitter", afirma.
De acordo com Ilana Casoy, com a internet, passa a existir uma fantasia compartilhada. "Você percebe um comportamento em grupo. No mundo sem internet era impossível, elas se amparam, porque o outro te dá referência. Provavelmente, Breivik conversava com pessoas parecidas, achou cara-metades que fantasiavam em um terra sem lei que é a internet", conclui. (HM)
De acordo com Ilana Casoy, com a internet, passa a existir uma fantasia compartilhada. "Você percebe um comportamento em grupo. No mundo sem internet era impossível, elas se amparam, porque o outro te dá referência. Provavelmente, Breivik conversava com pessoas parecidas, achou cara-metades que fantasiavam em um terra sem lei que é a internet", conclui. (HM)
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